14/05/2024

“Compassos” - um tocante poema sobre as chuvas no Sul

Em Porto Alegre (RS), na presença “Salesianas Eventos e Hospedagem”, as irmãs Filhas de Maria Auxiliadora (FMA) estão desempenhando um papel imprescindível junto às vítimas das enchentes, abrindo as portas para abrigar famílias, irmãs de outras congregações e até mesmo uma família que está na expectativa do nascimento iminente de uma criança, além de oferecer suporte emocional e atendimento psicológico àqueles que sofreram abusos, incluindo mães e crianças. Ao mesmo tempo, enquanto algumas irmãs se dedicam voluntariamente saindo em missão para organização e distribuição de doações, outras preparam refeições para os abrigos.

Em meio a tantas perdas, Ir. Eudenice da Luz Maia encontrou uma forma poética de traduzir o sentimento de muitos em palavras. Nasce assim o poema “Compassos”. “Escrever é algo que acalenta o coração. A inspiração do poema foi a realidade que estamos vivendo: um cenário de dor e tristeza, e o poema tenta retratar tudo isso, mas também a generosidade e doação de tantas pessoas e a certeza de que tudo vai passar, pois Deus não abandona o seu povo”, comenta a irmã salesiana.

Conheça o poema na íntegra:

 

COMPASSOS 

A efemeridade da vida e seus compassos de dor e esperança.  

Dor que tem nome, rosto, olhar, sorriso, história.  

Dor que tem medo, tristeza, morte, solidão.  

Dor de quem perdeu para a água aquela pessoa querida que tanto amava.  

Dor de quem trabalhou tanto para construir o lar dos seus sonhos.  

Dor de quem estava apenas começando um sonho.  

Dor de quem perdeu tudo aquilo que podia chamar de seu.  

Dor de quem ficou horas esperando ajuda, onde o medo era a única companhia.  

Dor de quem viu o outro partir e nada lhe restava para fazer.  

Dor de mãe que perdeu seu filho, chorou por medo ou por ver seu pequeno sofrendo.  

Dor de pai, de irmãos, dor de filho, dor de compaixão.  

Dor de não saber o que fazer, a não ser simplesmente esperar e, com fé, rezar. 

Para vencer tanta dor, somente com amor.  

Amor de quem doou aquilo que tinha de melhor.  

Amor de quem doou o seu tempo e dedicação.  

Amor de quem doou seus ouvidos, seu abraço.  

Amor de quem doou a esperança de dias melhores.  

Amor de quem doou todo o seu ser e, com ternura, foi ao encontro do outro.  

Amor do próprio Deus, que se faz próximo e tem compaixão do seu povo, caminha junto e transforma a dor em Ressurreição. 

Eudenice da Luz Maia (FMA)

Por equipe de Comunicação da Rede Salesiana Brasil

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