Celebração Litúrgica de Eusébia Palomino
09/02/2026

Celebração Litúrgica de Eusébia Palomino

Celebração Litúrgica de Eusébia Palomino
Foto: cgfmanet. org

Nascimento: 15/12/1899

Beatificado: 25/04/2004

Celebração Litúrgica: 09/02

 

Eusébia Palomino Yenes nasceu em 15 de dezembro de 1899, em Cantalpino, pequeno povoado da província de Salamanca (Espanha), numa família muito rica de fé quanto escassa de meios. O pai Agostinho, homem de grande bondade e doçura, trabalha como operário sazonal a serviço dos proprietários de terras dos arredores, enquanto a mãe, Joana Yenes, cuida da casa com os quatro filhos. No inverno, o campo repousa, o trabalho vem a faltar e o pão escasseia. Então, papai Palomino vê-se obrigado a pedir ajuda à caridade de outros pobres dos pequenos povoados da região. Às vezes, ele se faz acompanhar pela pequena Eusébia, de apenas sete anos, incapaz de perceber o preço de certas humilhações; alegra-se com aquelas caminhadas por veredas agrestes e pula alegremente ao lado do pai que a faz admirar as belezas da criação, a luminosidade da paisagem de Castela, descobrindo argumentos catequéticos que a encantam. Depois, chegando a alguma propriedade rural, sorri às boas pessoas que a acolhem, e pede “um pão pelo amor de Deus”.

O primeiro encontro com Jesus na Eucaristia, aos oito anos de idade, dá à menina uma surpreendente percepção do significado de pertencer ao Senhor e oferecer-se totalmente como dom a Ele. Bem cedo, deixa a escola para ajudar a família e dá provas de maturidade precoce ao cuidar – sendo ela mesma uma criança – dos filhos de algumas famílias do lugar, enquanto os pais estão no trabalho; aos doze anos, vai para Salamanca com a irmã mais velha, pondo-se a serviço de uma família como “babá faz-de-tudo”. Nas tardes de domingo, frequentando o oratório festivo das Filhas de Maria Auxiliadora, conhece as irmãs, que decidem pedir a sua colaboração na comunidade. Eusébia aceita mais do que feliz e põe-se logo ao serviço: ajuda na cozinha, carrega a lenha, provê à limpeza da casa, estende a roupa no grande pátio, acompanha o grupo de estudantes à escola estatal e trata de outras incumbências na cidade.

O desejo secreto de Eusébia de consagrar-se inteiramente ao Senhor inflama e reforça, agora mais do que nunca, todas as suas orações, todas as suas atividades. Ela diz: “Se fizer os meus deveres com diligência, agradarei à Virgem Maria e um dia conseguirei ser sua filha no Instituto”. Não ousa pedi-lo, pela pobreza e falta de instrução; nem se acha digna de tal graça, uma vez que se trata de uma congregação tão grande, pensa. A superiora-visitadora, a quem confidenciou o assunto, acolhe-a com materna bondade e garante: “Não te preocupes com nada”. E, de bom grado, decide admiti-la em nome da Madre Geral.

Em 5 de agosto de 1922, inicia o noviciado em preparação à profissão. Horas de estudo e de oração alternadas com o trabalho cadenciam os dias de Eusébia, que vive no auge da alegria. Após dois anos, em 1924, emite os votos religiosos que a vinculam ao amor do seu Senhor. É enviada à casa de Valverde del Camino, pequena cidade que, nessa época, conta 9 mil habitantes, no extremo sudoeste da Espanha, na região de mineração da Andaluzia, na direção dos limites com Portugal. As jovens da escola e do oratório, no primeiro encontro, não escondem certa desilusão: a recém-chegada é um tanto insignificante, pequena e pálida, não é bonita, tem mãos grossas e, além disso, tem um nome horrível.

Na manhã seguinte, a pequena freira está no local de trabalho, trabalho multiforme que a ocupa na cozinha, na portaria, na rouparia, no cuidado da pequena horta e na assistência das meninas do oratório festivo. Alegra-se por “estar na casa do Senhor por todos os dias da vida”. Esta é a situação “real” da qual se sente honrado o seu espírito que habita as esferas mais elevadas do amor. As meninas logo se deixam prender pelas narrações de fatos missionários, da vida de santos, de episódios de devoção mariana, ou de fatos sobre Dom Bosco, que recorda graças à feliz memória e sabe tornar atraentes e incisivos com a força do seu sentimento convicto, da sua fé simples.

Tudo na Ir. Eusébia reflete o amor de Deus e o desejo intenso de fazer com que sejam amados; suas jornadas de trabalho são uma contínua transparência disso, confirmadas pelos temas prediletos de suas conversas: primeiramente, o amor de Jesus por todos os homens, salvos pela sua Paixão. As Santas Chagas de Jesus são o livro que Ir. Eusébia lê todos os dias. Tira delas pontos didáticos através de uma simples “coroinha”, que aconselha a todos, também com frequentes acenos. Em suas cartas, faz-se apóstola da devoção ao “Amor misericordioso”, segundo as revelações de Jesus à religiosa polonesa, hoje santa, Faustina Kowalska, divulgadas na Espanha pelo dominicano Pe. João Arintero.

O outro “polo” da piedade vivida e da catequese da Ir. Eusébia é constituído pela “Verdadeira Devoção Mariana”, ensinada pelo santo francês Luís Maria Grignon de Montfort. Esta será a alma e a arma do apostolado da Ir. Eusébia ao longo da sua breve existência. Destinatárias são as meninas, as jovens, as mães de família, os seminaristas e os sacerdotes. “Talvez não tenha havido um único pároco em toda a Espanha – fala-se disso nos Processos – que não tenha recebido uma carta da Ir. Eusébia a propósito da ‘escravidão mariana’”.

Quando, no início dos anos 30, a Espanha entra nas convulsões da revolução pelo furor dos sem-Deus decididos a destruir a religião, Ir. Eusébia não hesita em levar às extremas consequências o princípio da “disponibilidade”, literalmente pronta a despojar-se de tudo. Oferece-se ao Senhor como vítima pela salvação da Espanha, pela liberdade da religião. A vítima é aceita por Deus. Em agosto de 1932, um imprevisto mal-estar e os primeiros sintomas. Depois, a asma, que em momentos alternados a tinha perturbado, começa agora a atormentá-la até os níveis de tornar-se intolerável, agravada por vários mal-estares surgidos de modo insidioso.

Nesse tempo, visões de sangue angustiam Ir. Eusébia ainda mais do que os inexplicáveis males físicos. Em 4 de outubro de 1934, enquanto algumas coirmãs rezam com ela no quartinho do seu sacrifício, interrompe-as e torna-se pálida: “Rezem muito pela Catalunha”. É o momento inicial da sublevação operária nas Astúrias e catalã em Barcelona (4-15 de outubro de 1934) que serão chamadas de “antecipação reveladora”. Visão de sangue também sobre a sua querida diretora, Ir. Carmem Moreno Benitez, que será fuzilada com outra coirmã em 6 de setembro de 1936 e, em 2001, depois do reconhecimento do martírio, será declarada beata.

Nesse ínterim, agravam-se as doenças de Ir. Eusébia. O médico admite não saber definir a doença que, acrescentada à asma, faz com que seus membros se deformem, fazendo com que se pareça com uma bola de lã. Quem a visita sente a força moral e a luz de santidade que irradia daqueles pobres membros doloridos, deixando absolutamente intacta a lucidez do pensamento, a delicadeza dos sentimentos e a gentileza do trato. Às irmãs que a assistem, promete: “Voltarei para fazer os meus passeios”.

No coração da noite entre 9 e 10 de fevereiro de 1935, Ir. Eusébia parece adormecer serenamente. Ao longo do dia, seus frágeis despojos, adornados de muitíssimas flores, são visitados por toda a população de Valverde. De todos, a mesma expressão: “Morreu uma santa”.

 

GUIAS SEGURAS DE EUSÉBIA PALOMINO

Um aprofundamento sobre o acompanhamento das jovens “Santas, Beatas, Veneráveis e Servas de Deus no Instituto das FMA” sobre a Beata Eusébia Palomino

Em linha com o Sínodo sobre: Os jovens, a fé e o discernimento vocacional (cf. Instrumento de Trabalho nºs 213-214), partilha-se no mês de fevereiro a quinta reflexão sobre o percurso de acompanhamento na juventude das Santas, Beatas, Veneráveis e Servas de Deus. 

A vida de Eusébia decorre num horizonte bem definido: a companhia constante de Jesus e Maria, faróis que iluminam todo o percurso da sua história, a partir das primeiras experiências na família.

Entre as pessoas que acompanharam o percurso formativo de Eusébia, os pais aparecem como “mediação” fundamental. Da sua viva voz, colhemos toda a incidência que eles tiveram até à sua juventude: «Dos meus primeiros anos eu só me recordo que, numa missão realizada na minha aldeia, íamos todos à igreja, ou seja, os meus pais e nós as três, e, como na altura ainda não havia luz elétrica na minha terra, o meu pai levava uma tocha numa mão e, com a outra, segurava-me perto dele. A minha mãe, com a minha irmã Antónia, que era muito pequena, levava-a nos braços e dava a mão à Dolores, e íamos para a igreja. No caminho de regresso, o pai esperava por nós à porta com a tocha e voltávamos para a nossa casa».

É muito expressiva a imagem da chama nas mãos do pai que acompanha a pequena família e, de noite, ilumina o caminho. Um símbolo de quanto o pai Agostinho era para sua filha: o guia, o sábio que a iluminou e apoiou o crescimento e gravou nela os valores indeléveis que construíram a sua personalidade de mulher com um coração grande, totalmente entregue a Deus e aos outros.

Numa bela foto de família, Eusébia descreve alguns momentos passados na companhia dos pais e irmãs: «Quando aprendi as primeiras letras do alfabeto e comecei a unir as sílabas, à noite, o meu pai, segurando o livro das sílabas nas suas mãos, ensinava-me e também às minhas irmãs. […]  No inverno, como anoitecia mais cedo, e minha mãe consertava a roupa, o nosso pai sentava-nos sobre os seus joelhos e ensinava-nos a rezar. Também nos ensinava a Sagrada Escritura, contava-nos a história de Moisés, os sonhos do Faraó […] e outros factos das Escrituras».

Ambos, pai e mãe, colaboram juntos na educação de suas filhas: «Tanto o meu pai como a minha mãe eram muito cuidadosos e atentos para que nós fôssemos boas e muitas vezes o inculcavam, dizendo: “mesmo que sejamos pobres, quero que sejam jovens honradas, portanto, nunca estendais a mão para alguma coisa que não seja vossa, e se encontrarem algo, entregai-o imediatamente ao dono e respeitai o que não é vosso; sede obedientes e respeitadoras com todos». Da sua mãe, ela salienta, sobretudo, que lhe «perguntava sempre com quem eu tinha estado ou quem tinha vindo comigo ao regressar da casa onde eu costumava fazer os serviços durante o dia, coisa que nunca lhe escondi. […] E, então, ela dava-me os conselhos que achava oportunos e eu procurava obedecer-lhe».

A confiança que ela depositava na sua mãe, Joana, tornou-se depois pela vida fora, na vida de Eusébia em total confiança em Maria, a Mãe de quem ela pôde afirmar: «Tudo aquilo que eu peço a Nossa Senhora, Ela concede-me”. Sentia em Maria a mãe que não pode abandonar os seus filhos, sobretudo aqueles que estão com problemas e se entregam a Ela com uma oração cheia de amor e de fé.

Eusébia, “acompanhada” de modo singular, será ela própria uma guia especializada que acompanhará muitos jovens, crianças e pessoas que a ela acorrem, atraídas pelo encanto de uma santidade simples e quotidiana.

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Confira o Acervo Salesiano no portal da RSB e conheça mais sobre as personalidades da Santidade Salesiana. Acesse rsb.org.br/acervo-salesiano/santidade-salesiana

 

MAIS MATERIAIS

Confira Imagens de Ir. Eusébia Palomino clicando aqui.

Confira o livro “Eusébia Palomino”, escrito por Dilza Maria Moreira que conta, com mais profundidade, a história de vida desta irmã salesiana. Clique aqui.

Fonte: cgfma.net e sdb.org.br

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211 Anos do Nascimento de Dom Bosco: O Sonho que Cruzou Fronteiras e Continua Vivo nas Juventudes do Brasil e do Mundo

Celebrado em 16 de agosto, o nascimento do Pai e Mestre da Juventude inspira gerações há mais de dois séculos. Do pequeno povoado italiano de Becchi até a contínua expansão no Brasil e no mundo, seu carisma permanece como um farol de acolhida e esperança para as juventudes. No dia 16 de agosto de 1815, nascia em Becchi, pequeno povoado de Castelnuovo d’Asti, na Itália, João Melchior Bosco. O menino de família humilde, criado pela mãe, a Venerável Margarida Occhiena, mal poderia imaginar que sua vida se tornaria uma das obras educativas e espirituais mais impactantes da história da humanidade. Neste domingo, ao celebrar os 211 anos do nascimento de São João Bosco, a Família Salesiana em todo o mundo renova o compromisso com o legado daquele que se tornou o "Pai e Mestre da Juventude". O Sonho dos 9 Anos: A Origem da Vocação A missão de Dom Bosco tem uma certidão de nascimento espiritual bastante clara: o profético "Sonho dos 9 Anos". Nele, o pequeno João viu-se em um pátio com meninos que brigavam entre si. Ao tentar contê-los com violência, foi interrompido por um homem de majestoso aspecto, o próprio Jesus, que lhe disse: “Não com pancadas, mas com a mansidão e com a caridade deverás ganhar estes teus amigos”. Ao seu lado, uma Senhora de manto resplandecente, Nossa Senhora Auxiliadora, indicou-lhe o campo de trabalho, onde animais ferozes se transformavam em cordeiros mansos. Aquele sonho tornou-se o roteiro de sua vida. Ordenado sacerdote em 1841, Dom Bosco dedicou cada fibra do seu ser ao acolhimento dos jovens marginalizados pelas transformações da Revolução Industrial em Turim, criando o Oratório Festivo e desenvolvendo o revolucionário Sistema Preventivo, pautado em três pilares indissociáveis: Razão, Religião e Amorevolezza. A Expansão Global: SDB e FMA Para dar continuidade e escala à sua obra, Dom Bosco fundou, em 1859, a Sociedade de São Francisco de Sales, os Salesianos de Dom Bosco (SDB). Pouco tempo depois, percebendo a necessidade de estender essa mesma dedicação às meninas e jovens mulheres, uniu-se à jovem Santa Maria Domingas Mazzarello para fundar, em 5 de agosto de 1872, em Mornese, o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora (FMA), conhecidas por todo o mundo como as Irmãs Salesianas. Impulsionado por uma visão missionária sem fronteiras, o carisma rapidamente cruzou os oceanos, espalhando-se pela Europa, Américas, Ásia, África e Oceania. Dom Bosco enviou a primeira expedição de salesianos para a América do Sul (Argentina) já em 1875.  O Carisma em Solo Brasileiro No Brasil, a semente salesiana germinou com vigor extraordinário. Os primeiros Salesianos de Dom Bosco chegaram ao país em 1883, instalando-se em Niterói (RJ). Poucos anos depois, em 1892, desembarcavam as primeiras Filhas de Maria Auxiliadora em Guaratinguetá (SP). Hoje, esse legado histórico se traduz na potente articulação das 10 Inspetorias do país (seis dos Salesianos de Dom Bosco e quatro das Filhas de Maria Auxiliadora) com a Rede Salesiana Brasil (RSB). Presente em escolas, obras sociais, centros de formação profissional, universidades, paróquias e meios de comunicação, as presenças salesianas do país garantem que milhares de crianças, adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade tenham garantia de direitos e acesso a uma formação integral para que, ainda hoje, também tenham a oportunidade de se tornarem "bons cristãos e honestos cidadãos", como sonhava Dom Bosco para os jovens de sua época. Ser a Face de Dom Bosco Hoje Mais do que uma memória histórica, o aniversário de 211 anos de Dom Bosco é um convite para o presente. O carisma salesiano não pertence apenas aos sacerdotes e religiosas, mas a todos os leigos, leigas, educadores, colaboradores, doadores e voluntários que abraçam a missão de proteger, educar e promover a juventude. Cada pessoa que se dedica a ouvir um jovem com empatia, que estende a mão a quem precisa de oportunidade, que combate as injustiças sociais ou que acredita no potencial transformador da educação, está, na prática, refletindo em si a face de Dom Bosco hoje. Ao apoiarmos e incentivarmos as novas gerações, apresentamos ao mundo contemporâneo o mesmo olhar de acolhida e esperança do Pai e Mestre da Juventude. Viva Dom Bosco!  Por Janaina Lima, com o apoio da equipe de Comunicação da Rede Salesiana Brasil  
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