Realizada em Aparecida (SP), iniciativa reuniu 171 participantes das dez Inspetorias do Brasil e promoveu momentos de formação, espiritualidade, conhecimento da Rede e vivência concreta da missão salesiana
Entre os dias 18 e 20 de setembro, a Rede Salesiana Brasil realizou, em Aparecida (SP), a I Jornada Formativa da Formação Inicial, reunindo, pela primeira vez em um mesmo percurso formativo, jovens em formação dos Salesianos de Dom Bosco (SDB) e das Filhas de Maria Auxiliadora (FMA).
Com o tema “Peregrinos da esperança: crescendo na graça da vocação e da missão”, a Jornada reuniu 171 participantes, provenientes das dez Inspetorias que integram a Rede Salesiana Brasil, além de integrantes da equipe do Escritório Nacional, da Editora Edebê e assessores. A iniciativa foi concebida como um espaço de formação, espiritualidade, convivência e aprofundamento do sentido de pertença à missão salesiana no Brasil.
Ao longo dos três dias, os participantes foram convidados a conhecer a Rede Salesiana Brasil por diferentes perspectivas, refletir sobre a própria vocação e missão e experimentar, de forma concreta, diferentes expressões da presença salesiana no país.

Conhecer a Rede para compreender a missão
O primeiro dia foi dedicado à apresentação da Rede Salesiana Brasil, permitindo aos formandos conhecer mais profundamente a estrutura, a atuação e as diferentes frentes que compõem a presença salesiana no país.
A programação percorreu áreas como educação básica, dimensão editorial, ação social, comunicação, formação, ensino superior, paróquias, santuários e comunidades inseridas. Mais do que apresentar projetos e estruturas, a proposta foi mostrar como diferentes áreas se articulam em torno de uma mesma missão: educar e evangelizar, especialmente junto às juventudes.
A reflexão sobre as juventudes esteve presente durante toda a programação. A partir das realidades encontradas nas escolas, nas obras sociais, nos ambientes digitais e nas demais presenças salesianas, os participantes foram convidados a ampliar o olhar sobre os jovens e sobre os desafios que atravessam sua realidade.
A experiência também possibilitou aos formandos, vindos de diferentes regiões do Brasil, conhecer outras realidades da presença salesiana e perceber como a diversidade das obras e Inspetorias se articula a partir de um mesmo carisma.

Vocação como caminho de transformação
O segundo dia aprofundou a dimensão vocacional da Jornada. A programação contou com a palestra “Peregrinos da esperança: crescendo na graça da vocação e da missão”, conduzida pelo Prof. Leonardo Humberto Soares, e com a reflexão do Pe. Assis Moser sobre o ardor apostólico a partir da experiência de Dom Bosco e Madre Mazzarello.
A reflexão do Prof. Leonardo colocou os participantes diante de uma compreensão dinâmica da vocação. Mais do que uma escolha realizada em determinado momento da vida, o chamado foi apresentado como um caminho que continua amadurecendo e exigindo discernimento, abertura e disponibilidade.
A provocação também esteve relacionada aos desafios do mundo contemporâneo. O professor convidou os formandos a não apenas compreenderem as transformações do tempo presente, mas a se perguntarem como desejam responder a elas e de que maneira os dons recebidos podem ser colocados a serviço dos jovens e da missão.
Na sequência, a reflexão sobre o ardor apostólico trouxe para o centro a relação entre espiritualidade e missão. A experiência de Dom Bosco e Madre Mazzarello foi retomada como inspiração para uma vida marcada pela paixão pela missão, pelo cuidado com as pessoas e pela presença junto aos jovens.
Ao abordar os riscos do ativismo, do individualismo e do desgaste emocional, Pe. Assis reforçou que a missão salesiana não pode ser reduzida à quantidade de atividades realizadas. O sentido do trabalho precisa estar sustentado por uma vida interior profunda e por uma experiência autêntica de fé.

A memória que reacende a vocação
As reflexões do segundo dia também foram acompanhadas por experiências concretas. Divididos em grupos, os participantes visitaram a réplica da Casa de Dom Bosco, em Pindamonhangaba, e o Memorial das Filhas de Maria Auxiliadora, em Guaratinguetá.
Os momentos incluíram reflexão pessoal, espiritualidade e celebração eucarística, aproximando a formação da história e das experiências concretas da missão salesiana.
A visita aos dois espaços ajudou a estabelecer uma conexão entre o patrimônio salesiano e o presente da missão. Conhecer a história, os lugares e as experiências que ajudaram a construir o carisma no Brasil também significou reconhecer a responsabilidade das novas gerações na continuidade dessa história.
Para Ir. Fabiane Rosa, que atualmente está no terceiro ano do Juniorato e há três anos vive sua consagração como religiosa salesiana, a Jornada representou uma oportunidade de aprofundar a própria missão, revisitar sua história vocacional e renovar o sentido do chamado.
“Participar dessa Jornada foi, para mim, uma oportunidade de aprofundar a minha missão, revisitar a minha história vocacional e renovar o sentido do meu chamado.”
A religiosa destacou também a importância de iniciar o encontro conhecendo a atuação da Rede Salesiana Brasil. Para ela, compreender as diferentes missões, projetos e desafios da RSB ajudou os participantes a perceberem que fazem parte de uma realidade maior.
“Esse primeiro momento foi propício para nos ajudar a perceber que fazemos parte de algo maior e a assumir, de maneira mais consciente, o verdadeiro sentido do ‘somos rede’.”
As reflexões do Prof. Leonardo e do Pe. Assis também tiveram impacto particular em sua caminhada. Segundo Ir. Fabiane, a palestra sobre vocação a ajudou a compreender novamente que a resposta ao chamado não acontece uma única vez, mas precisa ser renovada cotidianamente.
“O professor Leonardo, com muita sabedoria, me ajudou a refletir e aprofundar a fidelidade à minha resposta vocacional, recordando-me que essa resposta não acontece de uma única vez, mas é construída e renovada cotidianamente.”
Já a reflexão do Pe. Assis Moser, inspirada na trajetória de Dom Bosco e Madre Mazzarello, a levou a revisitar as raízes de sua própria vocação.
“Essa experiência despertou em mim a memória do meu primeiro chamado e me ajudou a voltar ao meu primeiro Amor, reacendendo a chama da minha vocação a partir da inspiração e do testemunho de vida de Dom Bosco e Madre Mazzarello.”
Para Ir. Fabiane, a experiência também reforçou a necessidade de responder ao carisma com criatividade, coragem e fidelidade diante dos desafios atuais.
“Recordar suas histórias, seus sonhos, suas lutas e sua confiança em Deus me fez perceber, mais uma vez, que o carisma continua vivo e que também hoje sou chamada a dar continuidade com criatividade, coragem e fidelidade.”

Um encontro entre gerações e congregações
Um dos aspectos centrais da experiência foi a possibilidade de reunir, em um mesmo percurso, formandos das duas congregações fundadoras da Rede Salesiana Brasil.
Para Ir. Thalita Veiga, da Inspetoria Nossa Senhora da Amazônia (BRM), a experiência foi marcada pela oração, pela reflexão e pela renovação do compromisso vocacional.
“A vivência da 1ª Jornada Formativa foi um tempo de profunda graça, reflexão e renovação para a juventude salesiana consagrada. No acolhimento materno da Casa da Mãe Aparecida, encontramos um espaço privilegiado para parar, rezar e contemplar a caminhada feita em conjunto, reavivando a chama do carisma e da missão junto à juventude.”
A participante destacou a conexão entre as formações e os desafios contemporâneos, ressaltando o contato com diferentes dimensões da atuação da RSB e as reflexões propostas ao longo dos dias.
“Ao longo da programação, cada reflexão conectou a espiritualidade aos desafios contemporâneos. Aprofundamos o olhar sobre o contexto e a realidade juvenil a partir do cotidiano das escolas salesianas, da dimensão editorial e da ação social da RSB no Brasil.”
Para Ir. Thalita, a experiência também reforçou o sentido de pertença à Rede.
“Volto para casa com o coração profundamente agradecido e renovado por este bonito retiro espiritual. Expresso minha imensa gratidão a toda a equipe da RSB pela oportunidade e pelo cuidado em cada detalhe, demonstrando um trabalho feito com tanto amor e verdadeiro espírito de família.”
E completa:
“Guardo no peito a certeza de que ‘somos rede’ nesta peregrinação cotidiana, cujo propósito maior é conduzir a juventude ao coração manso e humilde de Jesus, caminhando em constante oração e união de corações.”
Uma missão compartilhada
Para Antonio Arnaldo Martins Junior, SDB, da etapa do tirocínio, a Jornada possibilitou enxergar novas formas de contribuir para que a missão salesiana alcance mais pessoas, especialmente os jovens.
“Ser salesiano é trabalhar diariamente em uma fábrica de sonhos. Nesta jornada, pude ver como posso colaborar para que a missão alcance mais pessoas, especialmente os jovens.”
A experiência também despertou nele a esperança de encontrar novas pessoas dispostas a assumir a missão e entregar a própria vida ao serviço dos jovens.
“Levo comigo a esperança de encontrar cada vez mais salesianos e salesianas dispostos a doar suas vidas em prol de uma missão maior: a missão de levar almas para o céu.”
Ao recordar a espiritualidade dos fundadores, Antonio relacionou a experiência vivida durante a Jornada ao chamado que continua orientando a vida salesiana:
“Como fizeram os nossos fundadores ao dizerem e levarem para suas vidas: ‘Da mihi animas, cœtera tolle’ e ‘A ti as confio’.”
Para Vinícius Matheus Estevam da Silva, um dos aspectos mais significativos foi justamente o encontro entre os Salesianos de Dom Bosco e as Filhas de Maria Auxiliadora.
“Participar desta primeira jornada formativa é algo muito especial. Primeiro pelo encontro dos Salesianos de Dom Bosco com as Filhas de Maria Auxiliadora, algo que traz a comunhão do carisma salesiano, que é levar o carisma de Dom Bosco e Madre Mazzarello pelo mundo.”
Vinícius também destacou a possibilidade de conhecer diferentes realidades da presença salesiana no Brasil e, ao mesmo tempo, reconhecer a unidade existente entre elas.
“Algo muito bonito de ver a expansão salesiana pelo mundo, de cada região, de saber como funciona nos outros lugares, mas também de ver que o carisma é o mesmo e a missão é a mesma: cativar as juventudes e a salvação das almas.”
Os momentos de formação, diálogo e convivência deixaram, segundo ele, uma marca que ultrapassa os dias do encontro.
“E o que eu levo para a minha vida e aí também para a minha consagração é de saber que somos Rede Salesiana e que queremos levar esse carisma muito e muito mais além.”
Uma experiência de família e pertença
A convivência entre formandos e formandas das diferentes Inspetorias também foi um dos elementos que deram à Jornada uma dimensão particular de comunhão.
Para Ir. Fabiane, estar junto a outros jovens que vivem diferentes etapas do mesmo caminho vocacional permitiu fortalecer o sentido de família e renovar a esperança na vida religiosa consagrada salesiana.
“Além de todas essas formações, o próprio encontro com os demais formandos me ajudou a fortalecer o sentido de família que é dádiva de Deus em nossa Congregação. Pude renovar o meu olhar de esperança sobre a vida religiosa consagrada salesiana e, com coragem, com o coração aquecido, continuar a minha caminhada com e para as juventudes.”
A experiência, segundo ela, não terminou com novos conhecimentos, mas com um olhar renovado sobre a própria vocação.
“Da Jornada, não levo apenas novos conhecimentos, mas, sobretudo, um olhar renovado sobre a minha própria vocação. Levo comigo a esperança de continuar acreditando na beleza da vida religiosa consagrada salesiana, a coragem para enfrentar os desafios do caminho e o desejo de continuar caminhando com e para as juventudes, sendo presença que acolhe, acompanha, educa e evangeliza.”
O compromisso com os que estão à margem
No encerramento da Jornada, a experiência de três dias ganhou uma dimensão ainda mais espiritual. Na celebração final, a reflexão sobre os trabalhadores da vinha conduziu os participantes a um olhar especial para aqueles que estão mais distantes, para os que chegam por último e, sobretudo, para aqueles que permanecem fora da praça.
A mensagem reforçou a dimensão missionária da vocação salesiana: ir ao encontro, acolher, oferecer oportunidades e reconhecer a dignidade de cada pessoa, especialmente daqueles que vivem situações de maior vulnerabilidade.
A reflexão apresentou as “moedas de prata” como símbolo daquilo que cada vocacionado é chamado a oferecer no encontro com o outro: confiança, oportunidade e acolhida incondicional.
Assim, a celebração retomou uma das principais provocações presentes ao longo de toda a Jornada: a missão não pode permanecer voltada para si mesma. Ela exige saída, presença e disponibilidade para encontrar aqueles que ainda não foram alcançados.
Uma peregrinação que continua
Ao longo dos três dias, a Jornada percorreu um caminho que começou pelo conhecimento da Rede, passou pela reflexão sobre a vocação e o ardor apostólico e chegou à experiência concreta da missão em diferentes territórios.
Mais do que um encontro entre formandos, a iniciativa constituiu uma experiência de comunhão entre as duas congregações, aproximação entre diferentes realidades salesianas e renovação do compromisso com a missão junto às juventudes.
Para Ir. Thalita, a experiência deixa uma certeza:
“Somos rede nesta peregrinação cotidiana.”
Para Vinícius, fica o compromisso de levar o carisma ainda mais longe. Para Antonio, a missão permanece como uma verdadeira “fábrica de sonhos”. E, para Ir. Fabiane, a Jornada foi um sopro capaz de reacender a chama da vocação.
“Madre Mazzarello nos recorda a importância de soprar as cinzas para que o fogo possa novamente se acender. Para mim, essa Jornada foi exatamente isso: um sopro que reacendeu a chama da minha vocação.”
A peregrinação, porém, não terminou em Aparecida. Ela continua no cotidiano de cada casa de formação, comunidade e presença salesiana, onde cada vocação é chamada a amadurecer, discernir e responder novamente ao convite de colocar seus dons a serviço dos jovens e da missão.
Ao retornar às suas realidades, os formandos levam consigo não apenas aquilo que aprenderam durante a Jornada, mas uma experiência de pertença. A certeza de que, apesar das diferentes histórias, regiões e caminhos vocacionais, existe uma missão compartilhada e um carisma que continua convocando novas gerações a caminhar com e para as juventudes.